Vice City nunca dorme. Ela finge.
De longe, é um cartão-postal: praias banhadas em neon, arranha-céus que tocam as nuvens, carros importados deslizando pela orla, hotéis onde a festa só termina quando o sol já voltou. Uma cidade que promete tudo a quem tiver coragem de chegar.
E todos chegam. Gente que sonha com uma carreira, um negócio, uma família. Gente que quer poder, nome, fortuna. E gente que só quer um lugar onde o passado não consiga encontrá-la.
Mas os cartões-postais não mostram o que acontece depois que as luzes da avenida ficam para trás. Contratos assinados em salas sem janelas. Favores que nunca viram documento. Famílias que sorriem nas colunas sociais e enterram segredos no quintal. Autoridades que fecham os olhos, e organizações que abrem os próprios caminhos exatamente onde a lei desiste de olhar.
Ninguém é dono de Vice City. Quem acredita que é, cedo ou tarde descobre que era apenas uma peça em um tabuleiro que nunca enxergou por inteiro.